“Exmo. Sr. Carteiro, faça o favor de entregar esta carta à primeira jovem que encontrar em Lapa do Lobo, Canas de Senhorim, Beira Alta, Metrópole.”
Começou assim a troca de correspondência entre uma madrinha de guerra e o seu afilhado. Entre uma jovem-menina de 14 anos e um soldado, um rapaz-feito-homem, destacado para uma guerra longe, bem longe de sua casa; uma guerra que não era sua.
Eles, jovens, iam. Elas, jovens, ficavam e eram incentivadas a corresponderem-se com os soldados, para os ajudarem a superar a solidão e o medo.
Por detrás da nobreza destes atos de milhares de raparigas, estava também uma ação concertada entre o Estado Novo e o Movimento Nacional Feminino para, através da instrumentalização destas raparigas, fazer deles melhores soldados.
Em “Madrinhas de Guerra, pretendem-se.” exploramos esta tensão e procuramos ler nas entrelinhas destas cartas o que era preferível ignorar.
Joana Gomes Martins nasceu em Viseu, em 1994. É intérprete, criadora e formadora de teatro. É licenciada em Teatro e Artes Performativas, pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, e mestre em Teatro – especialização em Encenação e Interpretação – pela Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo. Trabalhou com encenadores, criadores e estruturas como Lígia Soares, Graeme Pulleyn, Marcantónio del Carlo, Diogo Freitas/Momento Artistas Independentes, Patrick Murys, Joana Pupo, Teatro do Montemuro e Um Coletivo. Fez também formação com Mónica Calle, Nuno M. Cardoso, Lígia Soares e Filipe Crawford. Co-fundou a estrutura colaborativa BANQUETE, de investigação e criação multidisciplinar em artes, da qual é investigadora e criadora associada.